No princípio a terra era sem forma e vazia. Normalmente, é assim que visualizamos um mundo sem a presença da “civilização”. Essa percepção parece ter criado raízes em nossos imaginários de tal maneira, que quando falamos na história de Londrina, o que nos permeia é, na maioria das vezes, a vinda de colonizadores e o loteamento feito pela Companhia de Terras Norte do Paraná (CTNP), como se esse episódio fosse a premissa que deu forma e corpo ao que antes existia aqui. Será mesmo que o norte do Paraná era vazio e sem forma? 

Quando nos debruçamos com um olhar mais atento sobre o que existia e quem habitava essas terras, somos logo tomados por uma realidade: havia uma densa floresta tropical, composta por espécies diversas, como imponentes araucárias, onças pintadas e animais rastejantes. Habitavam tribos de variados costumes e tradições, os povos originários, e também pessoas pobres que sobreviviam do plantio e criação. O Norte do Paraná não era uma porção de terras vazia e desabitada, mas sim, um espaço já cheio de vida.

Com o tempo, a fama da fertilidade e prosperidade que transbordava, foi atraindo mais olhares para a região, e aos poucos foram chegando os primeiros migrantes, vindos de diferentes partes do Brasil e da Europa, a procura de um pedaço de terra para chamar de seu.

​Até que no final da década de 1920 e início de 1930, a CTNP, após dar início ao loteamento e venda dessas terras, inicia a abertura da ferrovia, que trouxe a possibilidade de escoar a produção de erva mate e outros produtos agrícolas, além de facilitar a chegada de povos a região.

​As fotografias escolhidas para essa exposição foram tiradas, como conta a história, para registrar as modificações do espaço trazidas por toda essa idealização de empreendimento colonizador.

Será que os registros da década de 30 ressoam e representam todos que ali habitavam?