A natureza se encontrou com o homem e o homem com ela. Desse encontro, nasce Londrina. A partir de uma planta que vimos no começo dessa exposição chegamos a última foto, a cena de uma mata fechada e viva, ordenada e silenciosa - de sua maneira - em seu próprio caos. Partimos de um mundo natural, sonoro, para uma cidade, loteada, formatada com novas caras e novos sons.

Quem imaginaria, em 1934, que aquele pequeno conjunto de casas daria origem a imensos prédios? Que os sons da mata se extinguiriam? A calmaria sonora, pouco a pouco deu lugar aos ruídos urbanos, das construções e dos maquinários. Os mesmos cantos e tradições de diversos povos, que ainda hoje resistem, mesmo que abafados, foram trocados por aparelhos eletrônicos.  Vivemos em uma competição sem perceber. Trocamos algumas coisas por outras, julgando serem mais valiosas. Competimos para produzir, construir e acumular cada vez mais. Até quando e a que preço? O som também está nesta competição e ela se tornou tão grande que o silêncio está quase extinto. Você já pensou na transformação sonora ao longo da sua vida? Quais os sons que você escutava na infância que hoje não escuta mais? O som do vinil, da fita rebobinando, do chiado da televisão, do entardecer...  O som da modernidade cada vez mais intrínseco ao nosso sistema. Acabaremos isolados em nosso próprio ruído?